Salomão Borges Filho, mais conhecido como Lô Borges, nasceu em Belo Horizonte (MG) no dia 10 de janeiro de 1952. Foi um dos fundadores do coletivo Clube da Esquina e se tornou um dos compositores mais influentes da música popular brasileira.
1. Introdução: um mineiro que fez história
Desde menino, no bairro de Santa Tereza, Lô já se aproximava do violão e da canção. Sua trajetória, ladeada por amizade, criação e ousadia, o colocou entre os grandes nomes da música.
2. Infância e formação
2.1 Raízes em Belo Horizonte
Nascido em Belo Horizonte, mudou-se aos 10 anos para o Edifício Levy, no centro da cidade, onde se aproximou do violão. No bairro de Santa Tereza vivia a combinação de “cidade e roça”, convivência e música.
2.2 Os primeiros contatos com a música
Entre 12 e 15 anos montou a banda “The Beavers” com irmão e amigos, tocando Beatles, mergulhando no universo musical que despontava no país. Logo começou a compor e a imaginar canções.
2.3 O encontro com Milton Nascimento e o início de uma jornada
Adolescente, foi convidado por Milton Nascimento para mudar-se para o Rio de Janeiro e participar da gravação de um álbum que viria a ser clássico: Clube da Esquina. A mudança de Minas para o Rio simbolizou também a passagem de menino violonista a compositor em construção.
3. O surgimento do “Clube da Esquina”
3.1 O coletivo mineiro e seu impacto
O Clube da Esquina não era apenas um grupo — era um ambiente de experimentação, partilha, criação. Minas Gerais tornou-se centro de um som que misturava regional e universal.
3.2 Contribuições de Lô Borges para o movimento
Lô compôs canções memoráveis, que até hoje tocam plateias e influenciam músicos. “Para Lennon e McCartney”, “Clube da Esquina nº2”, “O Trem Azul”, “Paisagem da Janela” são algumas delas.
3.3 O “disco do tênis” e a sua estreia solo
No mesmo ano de 1972, lançou seu primeiro álbum solo – também marco — conhecido como “disco do tênis” pela capa com um par de tênis. Foi gravado rapidamente e, embora não tenha vendido muito à época, tornou-se referência.
4. Carreira solo e constantes reinvenções
4.1 Anos 70: solo e experimentações
Após 1972 seguiu um período mais recluso, até lançar “A Via-Láctea” em 1979, e participar de “Os Borges” em 1980. A música continuava sendo espaço de liberdade.
4.2 Anos 80 e 90
Nos anos 80 lançou “Sonho Real” (1984) e outros trabalhos, mantendo-se criativo apesar de menos visibilidade. Nos 90, a produção ficou mais calma, mas o valor artístico permaneceu intacto.
4.3 Anos 2000 em diante — uma retomada
A partir dos anos 2000, Lô lançou vários álbuns com inéditas e firmou parcerias novas. Discos como “Rio da Lua” (2019), “Dínamo” (2020), “Muito Além do Fim” (2021), “Chama Viva” (2022) e “Não Me Espere na Estação” (2023) mostram que ele continua ativo e relevante.
5. Estilo musical, influências e particularidades
5.1 Mistura de gêneros e ousadia sonora
Lô Borges combina MPB, pop, rock, jazz, psicodelia — com alma mineira. Essa mistura traz frescor e singularidade ao seu trabalho.
5.2 Letra, melodia e sensibilidade
Suas letras evocam imagens, paisagens, estados de alma. As melodias têm leveza e profundidade ao mesmo tempo.
5.3 Minas Gerais como berço criativo
O espírito mineiro – convivência, interior-cidade, natureza, simplicidade – está em muito do que ele faz. Minas foi base, e sua música projetou-se além.
6. Legado e influência
6.1 Reconhecimento no Brasil e no mundo
O álbum “Clube da Esquina” está entre os discos mais importantes da MPB. Lô é reconhecido como um dos compositores mais influentes do Brasil.
6.2 Gerações posteriores e releituras
Músicos de diferentes estilos gravaram suas canções. Em 2018, Alex Turner do Arctic Monkeys citou Lô Borges como inspiração — uma prova de que sua influência extrapola fronteiras.
6.3 Importância para a música mineira e brasileira
Ele ajudou a solidificar Minas Gerais como polo criativo para música brasileira. O movimento Clube da Esquina é marco e Lô Borges foi peça-chave.
7. Vida pessoal e curiosidades
Filho de Salomão Magalhães Borges e Maria Fragoso Borges, viveu em Belo Horizonte rodeado de irmãos e de um ambiente musical. Após o lançamento de seu primeiro álbum, ele rodou de ônibus e caminhão, adotando vida hé́’ “hippie” por uns meses, antes de retomar a carreira.
O apelido “disco do tênis” surgiu porque o álbum solo de 1972 tinha na capa um par de tênis, presente de um primo. A gravadora, à época, não entendeu muito bem — mas a história virou lenda.
8. O que faz hoje e perspectivas futuras
Lô Borges continua compondo, gravando, apresentando-se, e lançando álbuns com novidades. Suas músicas são redescobertas por novas gerações, e seu nome permanece vivo.
9. Porque lembrar de Lô Borges — a importância para nós
Para quem ama música, para quem vive no interior ou na cidade grande, conhecer Lô Borges é abrir uma janela para a brasilidade profunda, para a arte que vem do coração, do violão, da amizade e da experimentação.
10. Conclusão
O caminho de Lô Borges é como estrada de terra que sobe a serra: às vezes sinuosa, às vezes barrenta na chuva, mas sempre levando à vista mais linda. Ele saiu de Belo Horizonte, fez parte de um movimento que reinventou a música brasileira, lançou discos memoráveis, e segue em frente com violão na mão, cabeça inquieta e coração aberto.
Se ainda não ouviste “O Trem Azul”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” ou “Paisagem da Janela”, recomendo que feches os olhos, pegue o fone e deixe o som entrar. Vai ver que tem algo de roça, de montanha, de céu, de gente simples e de universo inteiro.
