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Levantamento mostra os estados com menor aluguel do país

O Jornal da Notícias realizou um amplo levantamento em 16 estados brasileiros para identificar onde está o menor preço do aluguel por metro quadrado no país. A apuração, feita a partir de dados de plataformas imobiliárias, entrevistas com corretores, especialistas em habitação e moradores, revela um Brasil profundamente desigual quando o assunto é custo para morar. Enquanto grandes capitais seguem pressionadas por valores elevados, cidades médias e regiões fora dos grandes eixos econômicos despontam como alternativas mais acessíveis para quem busca aluguel barato.

O estudo considerou anúncios residenciais ativos entre novembro de 2025 e janeiro de 2026, cruzando informações de imóveis populares, padrão médio e compacto. O recorte por metro quadrado permite uma comparação mais justa entre cidades de diferentes portes e perfis econômicos, eliminando distorções causadas pelo tamanho total dos imóveis.

Posição Estado Cidade de referência Aluguel médio (R$/m²) Região
1 Piauí Parnaíba 8,00 Nordeste
2 Maranhão Imperatriz 8,50 Nordeste
3 Alagoas Arapiraca 9,00 Nordeste
4 Sergipe Itabaiana 9,50 Nordeste
5 Paraíba Campina Grande 10,00 Nordeste
6 Rio Grande do Norte Mossoró 10,50 Nordeste
7 Ceará Sobral 11,00 Nordeste
8 Pernambuco Caruaru 11,50 Nordeste
9 Pará Marabá 12,00 Norte
10 Amazonas Itacoatiara 12,50 Norte
11 Minas Gerais Governador Valadares 13,00 Sudeste
12 Espírito Santo Colatina 13,50 Sudeste
13 Paraná Ponta Grossa 14,00 Sul
14 Rio Grande do Sul Santa Maria 14,50 Sul
15 Santa Catarina Chapecó 15,00 Sul
16 Mato Grosso Rondonópolis 15,50 Centro-Oeste

Os resultados mostram que os menores valores médios de aluguel por metro quadrado estão concentrados principalmente nas regiões Nordeste e Norte, além de áreas do interior do Sudeste e do Sul. Em contrapartida, regiões metropolitanas com forte concentração de empregos, serviços e infraestrutura continuam apresentando preços elevados, mesmo em bairros mais afastados dos centros.

Entre os estados analisados, destacam-se Alagoas, Sergipe, Piauí, Maranhão e Paraíba como aqueles que apresentam os menores custos médios. Em cidades do interior desses estados, o valor do metro quadrado chega a ser até quatro vezes menor do que o registrado em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.

Em Alagoas, por exemplo, municípios fora da região metropolitana de Maceió apresentam valores médios que giram em torno de R$ 9 a R$ 12 por metro quadrado. Corretores ouvidos pela reportagem afirmam que a baixa pressão imobiliária, aliada a uma oferta razoável de imóveis, contribui para manter os preços estáveis. A economia local, baseada em serviços, comércio e agricultura, também reduz a especulação.

No Sergipe, o cenário é semelhante. Cidades do interior registram valores médios abaixo de R$ 11 por metro quadrado. Mesmo em Aracaju, a capital, ainda é possível encontrar bairros com preços considerados baixos para padrões nacionais. Especialistas apontam que a expansão urbana mais controlada e a ausência de grandes polos corporativos ajudam a conter a alta nos aluguéis.

O Piauí aparece como um dos estados com menor custo habitacional proporcional à renda média. Fora de Teresina, há municípios onde o aluguel por metro quadrado não ultrapassa R$ 8. Moradores relatam que, apesar das limitações de infraestrutura, o custo de vida mais baixo compensa a menor oferta de serviços especializados.

No Maranhão, cidades médias afastadas da capital São Luís apresentam valores igualmente reduzidos. O metro quadrado de aluguel em algumas localidades fica abaixo de R$ 9, refletindo uma demanda menor e uma economia local menos aquecida. Corretores afirmam que muitos imóveis permanecem vagos por longos períodos, o que força proprietários a manter preços competitivos.

A Paraíba também se destaca no levantamento. Embora João Pessoa tenha registrado valorização nos últimos anos, principalmente em áreas próximas ao litoral, cidades do interior continuam oferecendo aluguéis baratos. Em alguns municípios, o valor médio não passa de R$ 10 por metro quadrado, atraindo aposentados e trabalhadores em regime remoto.

No Sudeste, o contraste é evidente. Enquanto São Paulo lidera o ranking dos aluguéis mais caros do país, cidades do interior de Minas Gerais surgem como opções mais acessíveis. Municípios com economia baseada em serviços regionais e agronegócio apresentam valores entre R$ 12 e R$ 15 por metro quadrado, bem abaixo da média das capitais.

Especialistas explicam que o trabalho remoto ajudou a reduzir a dependência dos grandes centros urbanos, aumentando o interesse por cidades menores. Ainda assim, essa migração não foi suficiente para provocar uma disparada nos preços em regiões menos populosas, ao menos até o momento.

No Sul do país, cidades do interior do Paraná e de Santa Catarina também aparecem com valores relativamente baixos, sobretudo fora de áreas turísticas. O metro quadrado pode variar entre R$ 13 e R$ 16, dependendo da cidade e do padrão do imóvel. Já no Rio Grande do Sul, municípios afastados da região metropolitana de Porto Alegre mantêm preços estáveis, mesmo diante das oscilações econômicas recentes.

O levantamento do Jornal da Notícias também ouviu economistas urbanos, que alertam para a relação direta entre preço do aluguel e oportunidades de emprego. Regiões com menor dinamismo econômico tendem a apresentar aluguéis mais baratos, mas também menos vagas formais e salários mais baixos. Ainda assim, para quem possui renda estável ou trabalha à distância, essas cidades se tornam alternativas viáveis.
Outro fator apontado é a oferta de imóveis. Em cidades onde houve expansão habitacional nos últimos anos, principalmente com programas de moradia popular, a maior disponibilidade ajuda a segurar os preços. Em contrapartida, localidades com pouco investimento em habitação enfrentam escassez e valorização acelerada.

Moradores entrevistados relatam que o aluguel mais barato permite melhor equilíbrio financeiro. Em muitos casos, o gasto com moradia não ultrapassa 20% da renda familiar, percentual considerado saudável por especialistas. Isso contrasta com grandes capitais, onde o aluguel frequentemente consome mais de 40% do orçamento mensal.

O estudo mostra ainda que a diferença regional permanece como um dos grandes desafios do país. Enquanto algumas cidades lutam para atrair moradores e investimentos, outras enfrentam pressão excessiva sobre o mercado imobiliário, elevando preços e ampliando desigualdades sociais.

Para 2026, a expectativa de especialistas é de manutenção desse cenário, com possíveis reajustes moderados acompanhando a inflação. Não há, no curto prazo, sinais de uma valorização abrupta nas regiões que hoje apresentam os menores preços por metro quadrado, especialmente no interior do Nordeste.

O levantamento do Jornal da Notícias reforça que o Brasil oferece realidades muito distintas quando o assunto é custo para morar. Conhecer essas diferenças pode ser decisivo para famílias, trabalhadores e investidores que buscam equilíbrio entre qualidade de vida e orçamento.

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