O horário de verão sempre foi um tema que mexeu com a rotina dos brasileiros. Implantado pela primeira vez em 1931, no governo de Getúlio Vargas, a medida foi inspirada em práticas adotadas na Europa e nos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial, quando havia a necessidade de economizar energia para sustentar o esforço de guerra.
No Brasil, o ajuste de adiantar os relógios em uma hora ganhou força a partir da década de 1980, especialmente durante os períodos de racionamento de energia. Até 2018, a prática fazia parte do calendário anual de milhões de brasileiros.
Economia de energia em xeque
A justificativa oficial sempre foi a economia de energia elétrica, já que, ao aproveitar melhor a luz natural no fim da tarde, reduzia-se o consumo residencial e comercial. Porém, com o passar dos anos, esse impacto foi diminuindo drasticamente.
Estudos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) mostraram que, com a modernização de equipamentos e o uso crescente de lâmpadas LED, o horário de verão deixou de gerar economia significativa.
Saúde da população no centro do debate
Outro ponto que pesou para a suspensão da medida, em 2019, foi a preocupação com a saúde. Pesquisas da Sociedade Brasileira do Sono indicaram que a mudança de horário provoca alterações no relógio biológico, aumentando casos de insônia, cansaço, estresse e até problemas cardíacos em pessoas mais sensíveis.
Especialistas destacam que o corpo humano leva em média de 7 a 10 dias para se adaptar ao novo horário. Nesse período, há registros de aumento em acidentes de trânsito, queda de produtividade no trabalho e até impactos no desempenho escolar.
Economia e turismo defendem retorno
Apesar dos efeitos negativos apontados, setores como o turismo, comércio e entretenimento continuam defendendo o retorno do horário de verão. Para eles, dias mais longos estimulam o consumo, aumentam a movimentação em bares, restaurantes e áreas de lazer, além de gerar benefícios para o setor hoteleiro.
Mundo dividido
Atualmente, diversos países ainda utilizam o horário de verão, como Estados Unidos, Canadá e nações da União Europeia. No entanto, há discussões semelhantes às brasileiras em várias partes do mundo. A própria União Europeia já sinalizou a intenção de extinguir a prática nos próximos anos, justamente pelos mesmos motivos: pouca economia de energia e impactos à saúde.
