Com a pressão mundial por práticas sustentáveis e redução da emissão de poluentes, os carros elétricos ganham espaço no mercado global. No Brasil, embora ainda sejam considerados caros, eles começam a aparecer nas ruas das grandes cidades.
Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), as vendas de veículos eletrificados cresceram 70% em 2024. Ainda assim, os números representam menos de 2% da frota nacional. A principal barreira é o preço: um carro elétrico custa, em média, três vezes mais do que um modelo popular a combustão.
“Hoje, quem compra carro elétrico no Brasil é um público restrito, que busca status e sustentabilidade. Ainda não é uma opção acessível para a maioria da população”, analisa a economista Maria Clara Nunes.
Além do preço, a infraestrutura de recarga é outro obstáculo. Apesar de avanços, ainda são poucos os pontos de abastecimento no país. Isso gera insegurança entre consumidores, que temem ficar na estrada sem bateria.
Por outro lado, empresas e governos começam a investir pesado no setor. Grandes montadoras anunciam fábricas de elétricos no Brasil, e estados como São Paulo e Paraná oferecem incentivos fiscais.
Há também vantagens financeiras de longo prazo: o custo por quilômetro rodado é cerca de 70% mais barato em comparação aos combustíveis fósseis. Além disso, a manutenção tende a ser menor, já que os motores elétricos têm menos peças móveis.
“É um caminho sem volta. O Brasil pode até demorar mais do que Europa ou Estados Unidos, mas os elétricos vão se popularizar”, acredita o engenheiro automotivo Ricardo Azevedo.
O debate agora é se o país terá políticas públicas capazes de democratizar essa tecnologia, ou se ela permanecerá restrita a uma elite.
