O desafio está principalmente nos perfis procurados pelas famílias. Muitos pretendentes demonstram preferência por bebês e crianças pequenas, enquanto uma parcela significativa dos que aguardam uma família é formada por crianças maiores, adolescentes e grupos de irmãos.
Mais de 36 mil crianças e adolescentes em acolhimento
Outro dado importante é o número de crianças e adolescentes que vivem em instituições de acolhimento ou em programas de famílias acolhedoras.
Na mesma referência de maio de 2026, o Brasil contabilizava 36.428 acolhidos. Entretanto, é importante esclarecer que nem todos estão disponíveis para adoção.
O acolhimento é uma medida de proteção, geralmente temporária. Durante esse período, a Justiça acompanha cada situação e busca, sempre que possível, preservar ou recuperar os vínculos com a família de origem.
Quando o retorno à família biológica não é possível e as alternativas legais são esgotadas, a adoção pode se tornar o caminho para garantir o direito à convivência familiar.
Por que crianças maiores enfrentam mais dificuldades?
A diferença entre o perfil desejado pelos pretendentes e a realidade das crianças disponíveis é um dos principais obstáculos do sistema brasileiro.
Entre os grupos que enfrentam maiores dificuldades para encontrar uma família estão:
- Crianças com idade acima de 8 anos;
- Adolescentes;
- Grupos de irmãos que precisam permanecer juntos;
- Crianças com deficiência;
- Crianças com necessidades específicas de saúde.
A adoção de crianças maiores e adolescentes, conhecida como adoção tardia, ainda precisa superar preconceitos e ampliar a compreensão sobre a formação de vínculos familiares.
Tecnologia amplia as possibilidades de adoção
Em maio de 2026, o Conselho Nacional de Justiça lançou nacionalmente o aplicativo A.DOT SNA, uma ferramenta voltada à busca ativa de famílias para crianças e adolescentes que enfrentam maiores dificuldades para encontrar pretendentes.
A iniciativa permite que pessoas já habilitadas para adoção tenham acesso, em ambiente protegido, a informações autorizadas sobre crianças e adolescentes disponíveis para essa modalidade de busca.
Segundo o CNJ, desde 2019, o Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento já havia viabilizado mais de 33,5 mil adoções em todo o Brasil, sendo 1.826 por meio da busca ativa.
Adoção é responsabilidade, afeto e compromisso
Adotar uma criança não significa apenas realizar o sonho de constituir uma família. É assumir uma responsabilidade permanente, oferecer proteção, educação, cuidado e condições para o desenvolvimento.
O processo exige preparação, acompanhamento e avaliação da Justiça, sempre priorizando os direitos e o bem-estar da criança ou adolescente.
Como iniciar o processo de adoção?
Quem deseja adotar pode procurar a Vara da Infância e da Juventude de sua região para receber orientações sobre os procedimentos necessários.
O processo inclui inscrição, apresentação de documentos, avaliação psicossocial, preparação dos pretendentes e habilitação judicial.
Também é possível consultar informações no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento, mantido pelo Conselho Nacional de Justiça.
Por trás de cada número existe uma história.A adoção pode transformar vidas e oferecer a crianças e adolescentes a oportunidade de crescer em um ambiente seguro, com proteção, carinho e oportunidades.
Saiba mais
Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (CNJ)
Fontes: Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA) e Agência Brasil. Dados de referência divulgados em maio de 2026.
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